sexta-feira, 12 de abril de 2019

A raiz dos problemas do Bolsonaro

A raiz dos problemas do Bolsonaro é que ele deixou de ser o Bolsonaro raiz. Toda vez que ele recua ou não é contundente em alguma posição, como na questão do desarmamento ou do protecionismo, parece que tenta mostrar para seus opositores, a esquerda, que ele não é ruim como eles pensam.

Note que estou falando do ponto de vista da percepção que o público tem do que está acontecendo, só que esta estratégia seria uma estupidez colossal. NADA que ele fizer vai agradar estes tipos.

A esquerda atual é composta de gente de moral deformada e intelectualmente desprezível que usa a própria hipocrisia como ferramenta. Ora, basta ver como querem um sujeito que é comprovadamente bandido e cujo partido está envolvido em inúmeros crimes (inclusive do naipe do caso Celso Daniel) seja solto, enquanto querem prender um humorista por ter feito um deboche inofensivo como protesto contra uma pessoa pública que quer cercear a liberdade de expressão e de imprensa de quem ela não gosta.
Ou seja, este pessoal não está preocupado em ver bondade nas pessoas. Nem ao menos se importam em apoiar indivíduos maus ou que estão obstinadamente praticando o mal, se estiverem alinhados com eles (tipo o Cesare Battisti). Outra coisa que não se considera é que tais tipos não têm a força que eles dizem ter. Trata-se de uma minoria raivosa e ressentida que vai reclamar de tudo e de todos que não estiverem subscrevendo a sua agenda em seus mínimos detalhes, algo que só tem resultado quando o alvo cede, diga-se de passagem.

Claro que isso não é culpa só do Bolsonaro (ele está cercado de inúteis), pode ter questões estratégicas relacionadas (tipo a tal da reforma da previdência), não é algo incomum e todo o resto poderia ser relevado, mas, independente de qualquer coisa, quando ele recua, corre o risco de desapontar e perder o apoio de quem botou ele na presidência. E tudo isto seria a troco de nada: agradar esquerdista só é possível se você for moralmente abjeto e desonesto como eles, coisa que o Jair Bolsonaro pelo menos nunca demonstrou ser.

Aliás, o meme abaixo representa muito bem o que acontece. Se você não é esquerdista, mesmo que você sempre faça o bem, será sempre o mau:


domingo, 23 de dezembro de 2018

Jesus nasceu em 25 de dezembro?


"Jesus nasceu em 25 de dezembro?" É um post que eu vi no perfil do Padre José Eduardo e resolvi arquivar aqui, pois é bastante interessante. A publicação analisa se a natividade de Nosso Senhor realmente se deu em um 25 de dezembro ou se foi uma data arbitrária, inventada pela Igreja.

Jesus Nasceu em 25 de dezembro?



Na verdade, esta data nada tem de arbitrária. Antes, possui profundas raízes bíblicas, e é ancorada na tradição da Igreja. Mas como fazemos para estabelecer o dia do nascimento de Jesus?

A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz:

"Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume" (Lc 1,5.8-9).

Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias?

No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado.

A ordem sorteada e imutável foi a seguinte:

1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau.

Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos.

CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado.

E, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, FOI ISTO MESMO QUE ACONTECEU.

Uma especialista francesa, Annie Jaubert, escreveu um artigo intitulado Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum, Suppl. 3 (1953) pp. 250-264, em que estudou o calendário do Livro dos Jubileus, um apócrifo hebraico muito importante, do final do século II a.C. Como muitos fragmentos desse calendário foram encontrados entre os escritos de Qumram, vê-se que ele estava em uso nos tempos de Jesus. Este calendário, também, é solar, e não dava os nomes dos meses, mas apenas seu número de sucessão.
E a mesma estudiosa publicou outros artigos importantes sobre isso. Veja-se o verbete Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2 (1969) pp. 35- 38; e uma célebre monografia, La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957.

Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Os resultados desta pesquisa então no artigo The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana, vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199.

Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, o turno de ABIAS (Ab-Jah), prescrita duas vezes por ano, acontecia assim: 1) a primeira vez, de 8 a 14 do terceiro mês do calendário, e 2) a segunda vez de 24 a 30 do oitavo mês do calendário. Ora, segundo o calendário solar (não o lunar, como o atual calendário judeu), esta segunda vez se data assim. (Sobre estes estudos, veja-se o artigo de Tommaso Federici, "25 dicembre, una data storica", in "30 giorni" [11/2000]).

O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO.

Portanto, quando São Lucas recolhe esta indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus.

AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS.

O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro, mesmo dia de São Pio de Pietrelcina). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL.

Portanto, seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO).

Três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal).

E seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor).

Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do "SOL INVICTO", do solstício de verão e tal, não passam de banais conjecturas.

P.S.: Vi a figura abaixo outro dia e achei interessante para enriquecer a publicação. Está em inglês, mas já passou da hora de você aprender este idioma. Clique na figura para ampliá-la:



Saiba mais


  1. Hórus e Mithra também nasceram no dia 25 de Dezembro?
  2. A data do Natal e o caô da sua origem pagã
  3. Por que Cristo nasceu em 25 de Dezembro e Por que Isso Importa
  4. Jesus nasceu em 25 de dezembro?

sábado, 5 de maio de 2018

A raposa, as uvas e o derrotado


Para quem não conhece, a fábula da “Raposa e as Uvas” conta a história de uma raposa que tenta comer um cacho de convidativas uvas penduradas em uma vinha alta. Não conseguindo, afasta-se, dizendo que as uvas estariam verdes, muitas vezes por comodismo, criando desculpas e justificativas enfadonhas. Em outras palavras, a fábula ilustra como “é fácil desprezar aquilo que não se pode obter”, ou, como se falava antigamente, “é escroto porque você não tem”.


Um dos exemplos desta mentalidade derrotada é facilmente observado hoje em dia quando se começa a falar de fisiculturismo e daí, invariavelmente, aparecem pelo menos dois tipos de sujeitos: o primeiro é aquele mangina clássico falando que mulher não gosta de homem bombadão e o segundo é aquele outro frango tentando tirar o mérito de uma pessoa por ela ter feito uso de anabolizantes, mesmo esta tendo passado boa parte da vida não apenas treinando pesado e tudo o que isto implica, mas também controlando a alimentação de modo formidável e abdicando de vários outros prazeres, como bebidas, baladas e noitadas.

Obviamente, estão apenas puxando a sardinha pros lados deles, forma de justificar a sua franguice e manterem-se em sua zona de conforto. Nem vou entrar no mérito das alegações, obviamente pusilânimes, mas ressalto que o segundo caso ainda é bem mais comum hoje em dia. Creio que isto está atrelado a uma série de fatores culturais modernos que variam desde a pura ignorância (opiniões e sentimentos relativos começaram a valer como fatos) ao constante ataque à figura do homem (a bomba potencializa as características masculinas). Entretanto, creio também que estes fatores só encontraram terreno fértil devido a outro aspecto nefasto do mundo moderno: o culto ao próprio ego, aquele que diz que o que importa é sentir bem consigo mesmo. Entenda bem isso, paspalho, quando fala coisas do tipo:
  • “Ah, não vou à Missa porque lá tem muito hipócrita", é porque você é burro e preguiçoso;
  • "Ah, não gosto de carro caro, pois chama muito a atenção de bandido", na verdade, você não compra porque você é pobre e não tem dinheiro;
  • "Não frequento academia por que o pessoal é imodesto", na real, você não frequenta por ser uma bola de sebo que fica com vergonha dessa sua pança de tambor usado balangando enquanto faz esteira;
  • “Ah, é melhor namorar mulher feia, porque vai trair menos", primeiro você diz que aparência reflete no caráter e ainda denota que só reboca gorda ou feia;
  • "Ah, aquele cara fica com muita mulher, prefiro pegar nenhuma a ser imaturo", você não prefere, só não consegue pega nenhuma mesmo.

Lembrando que, se não leva ao comodismo, ver o lado positivo diante da impossibilidade temporal de concluir seus objetivos (mas no caso da Igreja, TEM que ir) é respeitável. Não há mal algum em dizer "não tenho dinheiro pra comprar um carro zero, mas pelo menos não fica tão visado" ou "não tô pegando nem gripe, mas pelo menos evito pecar”.

O problema é que a vaidade desordenada somada a burrice e a feminilização da sociedade tem tornado homens cada vez parecidos com aquelas mulheres sem o que fazer que passam o dia colocando defeito nas inimigas (e nas amigas) bonitas por pura inveja. Ou seja, além de incapazes de se esforçarem, os caras estão parecendo um bando de mulherzinha fútil e recalcada. Isso é deprimente.

Por outro lado, ninguém obrigação de ter sucesso em tudo nesta terra, e quem paga de infalível é igualmente lamentável. Mas mentir pros outros e até pra você mesmo, não é apenas contraproducente, mas também objetivamente errado. Se quisermos progredir na vida, devemos olhar nossas próprias mazelas, fraquezas, corrupções e deficiências, até mesmo para saber onde temos que nos esforçar para melhorar e, assim, obter sucesso. Achar que você é bom pra baralho sem ser vai te levar a querer provar isso no grito, e isso é vergonhoso, chato e desprezível, e você é um fracassado que tem mais é que se fuder mesmo.